Era aquela, uma agradável tarde de verão, quando resolvemos sair para dar uma caminhada.
Em pouco tempo, o tempo começou a virar, e o que era brisa de verão, tranformou-se no início de uma tempestade, com direito a pingos grossos e a uma forte ventania que começou a jogar abaixo tudo o que encontrava pela frente, inclusive árvores.
Por entre uma dessas, corria eu, tentando fugir dos pingos dágua, quando, aflita, senti que algo havia “pulado” em mim.
Ouvi gritos de pavor...
Assustada, vi que as amigas apontavam para mim.
Paralisada de terror, percebi que o “algo” em minhas costas, era, nada mais, nada menos do que uma barata!
Uma barata? Uma maldita barata!!!
-Uaaaiii!!!Uma barata!!!tira!tira!!!, Socooorro!!!!
Enlouqueci!
O bicho maligno, então, começou a correr em zigue-zague, e em círculos e terminou por estacionar suas patinhas em meu pescoço, me fazendo passar por drogada!
- Ahhhhhhh!!!!!
Minhas pernas ficaram moles! E acreditei ser o fim!
Sem ajuda das amigas, (que já iam longe...) entrei em pânico e continuei a gritar e a me debater, desvairada!.
Tentando tirar a barata dos ombros, piorei a situação e fiz com que ela entrasse ainda mais, nos meus fartos cachinhos e quase arranquei os cabelos!!
Pessoas da rua paravam e olhavam a cena ridícula, hipnotizadas!
A estas alturas, eu já pulava alto, rodopiava no ar, puxava o cabelo, me desdobrava em partes iguais, me descabelando, surtada!
Transeuntes começaram a correr do local, entendendo que, ou eu estava tendo uma crise epilética ou estava possuída por alguma entidade religiosa, e me deixaram todos, cada vez mais sozinha, transformando a cena patética, em uma experiência exorcista!
Policiais que passavam pelo local correram em minha direção, imaginando ter sido uma tentativa de homicídio!
Sem poder suportar mais, puxei o guarda, e histérica, comecei a sacudi-lo! Avisei que não agüentaria mais e que ia enfartar! Ele, porém, para minha surpresa, tinha mais medo da maldita do que eu e deu no pé, me deixando em plena crise de pânico.
Eu não mereço...
Seu companheiro, vendo a situação, desatou a rir e resolveu negociar comigo a expulsão da barata.
O guarda dizia ser um homem de Deus e ficou ao meu lado recitando trechos da Bíblia, me fazendo jurar que iria me ajoelhar numa dessas igrejas macabras e arrancar o demônio “encostado” em mim.
Vencida! concordei.
Quando o guarda tirou a maldita barata, riu da minha cara e disse que tinha sido brincadeira...
Enjuriada, voltei pra casa jurando vingança contra o guarda espírita e as amigas da onça.


14:57
Emília Bendelak
