segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Casamento

Dizem por aí que, certo mesmo, só a morte!
As funerárias, agentes, caixões e etc. são adornos que podem existir ou não! Até sei que posso ser enterrada como indigente (nada legal...) porém, discordo desta afirmativa de forma vigorosa!
Existem outras espécies de “mortes”
Ser madrinha de casamento é uma delas!

Morre com você toda a esperança e auto estima! Todo o vestido que foi feito para dois ou mais casamentos, agora servirá apenas para um porque você engordou....ou melhor, “alargou”, mesmo com todas as dietas e academias.
Ter sido convidada para madrinha em vários casamentos me gabarita para dizer que não está enterrada apenas quem está dentro de um “esquife”, nós, as madrinhas, também estamos!
É de conhecimento popular que dá o maior AZAR ser madrinha sozinha, e que, embora não seja científico, madrinha solteira, permanecerá solteira pelos próximos anos (deviam esclarecer logo, de uma vez, a verdade, e informar que a situação não é passageira...).
Na melhor das hipóteses, a madrinha solteira, vai virar MÃE solteira.
Sou aquela que sempre vai aos casamento, como madrinha, arrumo a vida de todas as amigas e “caso” as danadas (tenho um coração grande) mas, nem o morto daquele dito caixãozinho que falei à respeito no início do tema se anima para dar aqueles passinhos certeiros...comigo, é claro!
É certo que continua a tentativa pelo príncipe; melhor dizendo, príncipe a gente procura até os trinta, após esta idade, serve qualquer coisa!
Ser convidada para madrinha, após os trinta, é uma clara demonstração (cem contra um) de desprezo, porque a noiva tem certeza de que, nem o noivo, em crise, momentos antes de entrar na nave da igreja se jogará pra cima da pobre diaba dizendo “estou com dúvidas”...
Madrinha após os trinta só tem direito a um vestido mais ou menos arrumadinho e um bom lacinho na cabeça (o bouquet será tentado mais tarde, junto com um olhar para algum desavisado presente na cerimônia).
Então você se pergunta:
Porque ter uma madrinha com faixa etária de trinta? Ela não vai guardar rancor?
Respondo aqui, os motivos pelos quais, você não deve se preocupar e ainda correr atrás de alguma, se tiver por aí:
1-Ela tá meio caidinha...
2-Ela tem esperanças de se casar, mas odeia o seu futuro marido (isso a tira do grupo de risco);
3-Pra que colocar a irmã mais velha nesta situação se você tem uma amiga?
4-Ela já tem vergonha de aparecer sozinha em todas as festas, porque todos os amigos e parentes pensam que ela é lésbica não assumida então, por isso mesmo, você ajudará colocando-a sob os holofotes e fazendo-a atravessar a nave da igreja com aquele seu amigo gay, também encalhado, fazendo assim, os derrotados ficarem num lado só da igreja e tirando a pobre de vez da jogada;
5-Você deve continuar a maldição da madrinha porque esta pobre mulher quando chegar aos quarenta e desistir de todos os homens vai ser a “tia” perfeita para seus lindos monstrinhos, já que a sua vida continuou de forma saudável e a dela foi pro brejo naqueles bailes arrumados para toda espécie de coroa, e que não deram certo, afinal, sejamos honestos, se ela fosse boa, também já estaria casada...
A revolta que parte de dentro de mim é que, como madrinha com idade avançada, sou alvo dos funcionários de cartório que sempre se divertem fazendo aquelas perguntas imbecis que não interessam nem a sua mãe e que te afastam, mais ainda, da tênue possibilidade de arrumar um “pato” se o cara tiver por lá.
Venho, então, dividir, minha indignação com relação aos funcionários, padres e pastores de plantão nos cartórios aterrorizando, nós, as madrinhas com suas perguntas e sermões sem sentido.
Pensava eu, já ter escapado da fase de madrinha, quando minha querida prima me convidou para mais uma empreitada.
A jovem também já contava com certa idade, mas como Deus é pai, o destino não quis que ELA ficasse sozinha.
Aceitei o convite com prazer, mesmo sabendo da maldição e assim, num daqueles dias de calor insuportável, nos mandamos para Madureira pra fechar o negócio.
Ao chegar no prédio vieram as reclamações, solicitações, burocracias e tudo que pode advir de uma família reunida em prol de um agente (a mulher) e uma vítima (o marido) transformando os passos do Criador em mais uma batalha humana que terminará algum dia num inferno qualquer.
De repente, no meio do Cartório, abarrotado de mulher grávida (elas costumam ir primeiro ao cartório, depois pedem a benção pra Ele...) ouço uma voz gritando o meu nome completo, pra meu desespero:
- Emilia Rachel Bendelak, Dona Emilia Rachel Ben....!!!!
Me aproximei o mais rápido que pude, mas, no meio do caminho veio a pergunta fatídica:
- Quantos anos a Senhora tem??? (Alto, muito alto)
- Por que? É ela quem vai casar; não eu!
- Mas é que tem que constar na escritura...
- Mas eu não entendo...
- Minha senhora, não enrola! Quantos anos a Senhora tem?
- Ta bom, ta bom...aí disse baixinho a minha idade.
- O quê? Não entendi!
- 36 (baixinho de novo)
- Como?
- Trinta e seis, merda!
- Ah!....
Olhei pra trás e logo notei que a nossa conversa estava sendo acompanhada por alguns casais que estavam por perto, o que me deixou ainda mais constrangida.
- Posso ir?
- Pode.
Mal virei as costas e ela deu outro berro:
- Estado civil?!!!
Não acreditei! Respondi:
- Você quer acabar comigo?
A criatura riu desembaraçadamente e repetiu a pergunta
- Solteira? Adivinhando.
Ao que respondi:
- Lógico! Você acha que se eu fosse casada teria problemas pra dizer minha idade?
- Como é a vida de solteira? Faz tempo que eu sou casada....nem me lembro mais... acrescentou a megera, maldosamente...
- É ótima.(humm...)
- Espero que você encontre alguém....
- Não quero, obrigada, respondi sucinta.
- A vida melhora muito depois que a gente casa.....o tempo passa...
- É......
Após o vexame das perguntas, encaminhei-me ao local onde minha prima ia casar e esta vendo a minha cara, começou a rir e perguntou:
- Que foi, você está com uma cara....
- Encontrei a mulher dos sonhos de qualquer pessoa....
- Que tipo de pessoa
- As mortas!
E assim, partimos para o casamento e resolvemos a questão do encalhamento da minha prima.
O melhor foi o juiz ( um baixinho com cem anos de idade) que me viu, ficou apaixonado e começou a me azucrinar lançando olhares lânguidos e cheios de paixão, ao final o vovô perguntou:
- Solteira?
Ô vidinha!...Ninguém merece...